Blog de integração dos participantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID - CAPES, do curso de Letras da Universidade Federal do Pampa, Campus Bagé, com a Escola Estadual de Ensino Médio Frei Plácido e com a Escola Estadual de Ensino Médio Luiz Maria Ferraz - CIEP.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Linguística Crítica: Implicações para o ensino de línguas

Divido aqui, nesta postagem, parte da conversa com o professor Kanavillil Rajagopalan que tive em um minicurso nos eventos da UNIRITTER Seminário Internacional Linguagem, Interação e Aprendizagem - VII Seminário Nacional Linguagem, Discurso e Ensino que acontecera de 14 à 16 de setembro de 2010 em Porto Alegre.
  O minicurso de dois dias com o professor Rajagopalan tinha como temática e resumo:
"Linguística Crítica: implicações para o ensino de línguas
 O que é a 'Linguística Crítica'? De que forma ela se distingue da forma tradicional de pensar a linguística? Porque ainda existe uma certa resist°ncia ao projeto da 'Linguística Crítica'? Este minicurso buscará respostas para algumas destas perguntas."
 No primeiro dia o professor para explanar sobre o que seria "ir além da linguística" enfocou no pensamento crítico, sobretudo na escola de Frankfurt. Ser crítico é ultrapassar o conceito de ciência e filosofia do século XIX onde o pensador e cientista apenas observava os fenômenos e estava indiferente ao fato social que o cercava. Max Horkheimer seria para o professor aquele alemão da escola de Frankfurt que impulsionou a união do pensamento filosofico com o social nos anos 20.
A linguística por muito tempo ficou presa a correntes de pensamento originárias do século XIX, imitando as ciências naturais, prova disso é a presença do estruturalismo e do gerativismo em nossas concepções de língua, linguagem, comunicação, onde vemos as tais com uma olhar estrutural, natural, estanque.
 Depois, o professor foi trabalhando a história de certas línguas, onde destacou os processos políticos, podendo assim dar vazão empírica ao que depois foi colocar o que seria Análise Crítica do Discurso e Filosofia da Linguagem Ordinária. A língua é uma construção humana, social política, e uma arma de poder. O primeiro gramático espanhol ofereceu a gramática dos castelhano para a corte real para servir ao processo de colonização e dominação do mundo, como potente arma em pleno "descobrimento" das américas.
 Norman Fairclough seria o grande expoente atual que pegara os principios bakhtinianos e introduzira em uma teoria que englobe a atualidade neoliberal, com uma Análise Crítica do Discurso. A língua não é uma unidade só, ou um instrumento comunicativo, é sim uma escolha política, um instrumento de diferenciação identitário. O professor para trabalhar o conceito de uso da língua, desconstruiu que a "língua é um instrumento de comunicação" e com Robin Dunbar, antropologo inglês, organizou um pensamento crítico sobre a língua: "a língua é o que faz você diferenciar os seus amigos dos seus inimigos".
Sobre a língua em si o professor mostrou pela sua propria identidade indiana que a língua não é algo fechado, que conceitos como língua materna e língua estrangeira são também construídos sócio-politicamente, já que o professor não tem uma língua materna entre as suas três línguas, e seu pensamento em tal língua é de acordo com a situação, seja inglês, hurdo, hindi, português, etc. Tais concepções também atravessam as formas linguísticas, onde também explanou sobre os "pidgins" ou seja, a mescla entre línguas, que existem, e existem para evidenciar que as línguas não são fixas, já que uma pessoa por exempo, pode falar uma frase com um verbo em uma língua, sujeito em outra e objeto ainda em outra, e isso ser totalmente logico para o sujeito que dera tal "input".
 Atualmente alguns pesquisadores e meios de comunicação estão alarmando sobre um mundo globalizado multilingue, uma micelância cultural pós-moderna, porém isso é uma revelação ingenua já que a humanidade não-ocidental já está acostumada com o fenômeno multilingue, principalmente na África e Ásia. Os Estados europeus na modernidade foram tão brutais na consolidação de suas línguas padrões ( outra invenção histórica ) que afirmaram o mito da língua, de sua unidade.
 Sobre o ensino de línguas, Rajagopalan também relatou suas experiências como professor de inglês, quando seu trabalho era ensinar a língua de seu colonizador. E apartir daí discutiu conceitos culturais sobre a língua inglesa no Brasil, fazendo-nos pensar nas finalidades e metodologias de se ensinar uma língua dominante que têm seus órgãos de de propagação e coerção políticos, econômicos, sociais por trás. Alternativa que considere o espectro crítico e social da linguística seria o que aponta Suresh Canagarajah ( ao lado ), linguista do Sri Lanka, que afirma que a língua adicional do colonizador ( inglês, francês, espanhol, etc. ) deve ser ensinada para ser um instrumento de luta e disputa do colonizado, daquele teve seus direitos subtraídos, então seria uma alternativa a rejeição das línguas dominantes que são impostas por toda uma dimensão social.
 Por fim, o que posso agregar, a mim, dos ensinamentos do professor Rajagopalan é que a linguística se vista por seus aspectos clássicos somente, in vitro cientifico estamos por desconsiderar os seus significados construídos, significados construídos por conflitos históricos e presentes entre sujeito, cultura, identidade. A língua é uma opção, a identidade é uma escolha, um posicionamento político consciente porém, as vezes não perceptível. Essas escolhas estão influenciadas e influenciam pelo discurso, e cabe ao que adere ao pensamento crítico tomar o seu ponto político-social e prosseguir na caminhada transcientifica, transdisciplinar. Ensinar a língua inglesa  ou espanhola com uma bandeira norte-americana ou o som de castanholas ao fundo é o mesmo que ser um médico nazista testando experimentos nos campos de concentração, já que assim se passa por cima dos direitos humanos e da realidade social que cercam os humanos que lidam com áreas do conhecimento. Ensinar, compartilhar, aprender uma língua adicional ou saber melhor explorar sua própria opção linguística, enquanto sujeito e agente, de forma a instrumentalizar isso em proveito de sua disputa orgânica ante a homegeneidade neoliberal globalizada, é fazer uma interpretação crítica da linguística.

 Referências complementares de estudo que o professor citou além das já citada:
Ian Watt; Burnstein; Christopher Hutton; Foucault; John Joseph ( Languaje and Policy );Alice Panicook; Anthony Güfen; Christian Farlheiran.

1 comentários:

Leandro da Silva disse...

Eu postei este mesmo texto no meu blog e lá foi gerado uma discuussão bem interessante com o Rodrigo. Participem nos comentários, vale a pena!

http://arqueologiadasurgencias.blogspot.com/2010/09/linguistica-critica-implicacoes-para-o.html

3 de outubro de 2010 14:15

Postar um comentário

Seguidores